Reflexões

Homem Almar Parte 1 – Tempos Hipermodernos

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Com tantas possibilidades de conexão num mundo globalizado, as pessoas ainda se queixam de um vazio, um buraco negro no peito que vai sugando, dia após dia, toda a vitalidade. Depressão e ansiedade são tão comuns para profissionais de saúde psicológica quanto a gripe para os clínicos gerais. Vamos nos dessensibilizando diante das más notícias que nos chegam virtualmente a ponto de não mais reagirmos coerentemente diante de vários absurdos que passam por nós diariamente. Clamamos por uma vida feliz que está para além de likes, seguidores e mais qualquer outro movimento de felicidade externa. Nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, nunca estivemos tão desconectados de nós mesmos.

Vivemos em uma sociedade hiper. O homem hipermoderno, movido pelo hiperindividualismo, utiliza-se do hiperconsumo na tentativa do alcance de um ideal de felicidade e bem estar. Entretanto, continua-se infeliz. Na vida hipermoderna, os fundamentos da modernidade passam a estar exacerbados e radicalizados onde o consumismo se coloca como ponto central, moldando estilos de ser. A lógica do consumo incorpora as atividades de lazer, que são realizadas em um tempo liberado do trabalho, na incessante busca de sensações de prazer instantâneas. Há atividade, mas há uma necessidade não atendida nessas ações. É um culto aos excessos.

Também podemos pensar na cultura do instantâneo, do curto prazo. Em que lugar, nesse contexto, estão as experiências? Uma constante busca externa para suprir necessidades internas, criando assim um ciclo adoecedor que vai perpetuando uma existência vazia. Nosso tempo é preenchido com mais e mais atividades, constantemente permeadas pela ajuda das tecnologias que nos fazem ganhar tempo para, então, usarmos esse tempo com mais e mais atividades, sendo estas incentivadoras de nos colocar superconectados com o nosso trabalho, com a produtividade e com a visibilidade. Essa super-comunicação, o super-desempenho e a superprodução acabam nos tornando super-cansados, super-desamparados e super-desconectados

O Homem Almar é uma resposta a esses movimentos, poderíamos até dizer que seria uma contra-cultura, pois acreditamos que exista apenas um caminho para uma reconexão com a vida: o caminho da experiência. Mais especificamente, das experiências que potencializam a vida. Talvez essa forma de falar pareça nova, mas o caminho é antigo e bem diversificado. Com o objetivo de promover reflexões a respeito de que caminho estamos tomando para nossas próprias vidas, de despertar consciência para essa conexão, estes escritos são um convite.

Ps. Texto escrito com a parceria da Ana Claudia Lima

Essa linda imagem é do trabalho do artista Eric Paré e você acessa no Instagram @ericparephoto

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